Esse é
um provérbio popular antigo que reflete a ideia de que o destino (ou uma
força divina) protege aqueles que não têm plena consciência dos seus atos ou
perigos: as crianças (pela inocência) e os ébrios (pela
falta de lucidez). É geralmente usado quando alguém sobrevive a uma queda ou
situação perigosa de forma quase "milagrosa" ou sem sofrer um
arranhão, sugerindo uma espécie de proteção especial para quem
está vulnerável
A expressão "Ao
menino e ao borracho, põe Deus a mão por baixo" não tem uma
origem ligada a um evento histórico único, mas sim uma base na observação
empírica e na religiosidade popular ibérica.
A sua origem
fundamenta-se em dois pilares:
1. Observação Física
(O Fenómeno da "Queda Frouxa")
Historicamente,
notava-se que crianças e pessoas embriagadas sofriam quedas aparatosas, muitas
vezes de locais altos, e sobreviviam com poucos ferimentos.
- Fisiologia: Ao contrário de um adulto
sóbrio que, por instinto, retesa os músculos e tenta travar a queda
(causando mais fraturas), o "borracho" e a criança pequena caem
de forma relaxada e "frouxa". Este estado de
relaxamento muscular permite que o corpo absorva o impacto de forma mais
distribuída, assemelhando-se ao comportamento de um boneco de pano.
- Interpretação: Perante
esta sorte "inexplicável", o povo atribuía o salvamento a uma
intervenção divina direta.
2. O Significado de
"Borracho"
É importante notar a
evolução da palavra:
- No sentido clássico: "Borracho"
refere-se ao ébrio (do espanhol borracho).
- No sentido
regional (Portugal): Em certas zonas, "borracho"
também designa um pombo implume ou recém-nascido, que cai
do ninho e, por ser muito leve e ainda sem ossos totalmente rígidos,
frequentemente sobrevive. Ambas as interpretações reforçam a ideia de um
ser indefeso que é amparado.
3. Contexto Cultural e
Religioso
O provérbio reflete a
crença na Divina Providência, especialmente para aqueles que
"não sabem o que fazem". No caso da criança, pela sua inocência; no
caso do ébrio, pela perda temporária da razão. É uma máxima de conforto que
sugere que Deus protege quem não tem plena capacidade de se proteger a si
próprio.
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