08/03/2010

A MULHER ORIENTAL

Neste momento a China torna-se, novamente, o espelho distante do ocidente: a sociedade chinesa, no curso da sua história, tem atitudes variadas em relação à questão da mulher. Ora apresentada numa condição de subserviência e inferioridade humilhante, ora apresentada como um ser divinal e necessário à existência da humanidade.

Assim, as mulheres tinham que enfrentar, muitas vezes, o casamento arranjado; ao marido era permitido uma poligamia relativa (a primeira esposa era considerada principal e as outras concubinas); ao passar de uma família para outra, viravam filhas dos sogros, e a eles deviam servir; por fim, sua mobilidade social sofria várias restrições. No entanto, estas mesmas mulheres tinham o direito de recusar pretendentes; herdavam os bens do marido, e podiam se separar dele - o divórcio é conhecido e aceito na China, embora não fosse muito bem visto - e continuavam a ser objecto de culto em diversos rituais religiosos populares. As mulheres podiam, inclusive, participar de vários rituais e sacrifícios familiares e imperiais, função considerada sagrada na manutenção da ordem social e cósmica.

Na dinastia Song surge a revelação trágica do infanticídio, praticado principalmente por famílias pobres e envolvendo, na maior parte dos casos, meninas indesejáveis. Populariza-se também a estética do enfaixamento dos pés, resultado da inevitável busca pela beleza.

As iniciativas do governo comunista visavam inserir a mulher numa visão moderna do mundo do trabalho. Isso significou um amplo quadro de avanços, mas também de adaptações. Algumas delas marcam nitidamente as diferenças de visões dos chineses em relação ao resto do mundo. Por exemplo: dada à importância da questão do planeamento familiar, o governo foi obrigado a legislar sobre o número de filhos que um casal pode ter, evitando assim o fenómeno da super população; por outro lado, o aborto e o uso de contraceptivos foram amplamente liberados, mas recentemente proibiu-se o uso de exames que possam indicar o sexo da criança - muitos casais abortavam as meninas, porque preferiam ter filhos homens.
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